domingo, 3 de julho de 2011

Ao pó.

Da tentativa, ficou a frustração. Da motivação, ficou o nada, ressoando como pontadas dentro de mim. Da poesia, só vi o concreto. Da crença no futuro, ficou a desilusão. De todo colo quente, ficou o sozinho. De toda luz, ficou cinza o céu azul. De tudo que floresce, ficou a morte inevitável. Da boca sorrindo, ficou o perpétuo gosto de sangue. Do que era música, ficou o silêncio. E a dança se transformou nos dedos acusadores da platéia. O movimento alegre e livre está aprisionado. E as asas que levavam à imensidão estão podadas. Do que era inspiração, ficou o vazio.

4 comentários:

  1. é quase que o ciclo eterno da vida.

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  2. Eu chego a suspirar com esses seus textos lindos.

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  3. Andei me sentindo assim. Bastante assim. Mas depois do pó, vem a vida.
    Beijo, moça.

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