sábado, 16 de abril de 2016

Pra você nunca me deixar

Quando você parte de dentro dos meus braços
Meu coração se parte um pouco
E é como se um pedaço meu estivesse morrendo
As flores que coloriam e perfumavam minha alma
Murcham de repente, ficam ranzinzas
Cada parede desse quarto chora
E as páginas dos meus cadernos se enchem de lágrimas
Quando você me deixa assim
Tudo no mundo parece estar me dando adeus
As pessoas no ônibus me olham com olhar de pena e despedida
As panelas sem sopa de abóbora protestam, indignadas
- Elas mandaram te perguntar se você não sente remorso
por nos abandonar assim tão vazias -
Em todo lugar falta alguma coisa
É uma sensação como quando a gente sai de casa e acha que esqueceu algo para trás
Mesmo quando me sinto feliz
Me pergunto o que é que está sempre segurando um pouco o meu sorriso.
As pessoas do mercado sentem a nossa falta
Disseram que ninguém mais anda assim pendurada no carrinho
Ninguém come frutas roubadas à olhos vistos
Enquanto passeia alegre entre as estantes.
Eu me vejo obrigada a vestir aquela minha roupa
Que eu costurei pros momentos difíceis
Assumo minha pose mais altiva
Que, cá entre nós, carrega tanta dureza...
A dureza de quem tem o amor pendurado num retrato
Dentro de uma moldura antiga.
Preciso que você volte pra poder abandonar esse casulo
Pra poder abrir de novo as minhas asas
E devolver ao mundo todas as suas delicadezas.
Quando você chegar
Prometo que eu te mimo como você quiser
Que te faço dormir
Que te faço café
Que te faço assinar uma cláusula de nunca mais me abandonar.








quarta-feira, 6 de abril de 2016

De me sentir feliz

Pressentia a sua chegada
De uma fresta de janela eu captava uma hora ou outra
Um fragmento seu
Algum brilho refletido de cabelo
Algum vestígio de poeira arrastado pela saia comprida
Algum ruído de risada deixada no ar
Algum abalo rítimico de um coração acelerado
Algum mistério recém descoberto num olhar cheio de ansiedade
Senti sua falta
Senti falta desse nosso casamento cheio de poréns
Dos nossos cafés conforto
Da nossa existência costurada
Da surpresa que reveste tudo que existe
Do mais simples ao mais complexo ser que anda sobre essa terra
De ver poesia no arroz com feijão de cada coisa cotidiana
De juntar as mãos e agradecer pela oportunidade de estar aqui
Da resistência amolecida, cada vez mais entregue, de te receber na minha vida
Não me deixe mais assim
Sem falar nada, sem se despedir
Há muito te esperava
E te recebo novamente de braços abertos
Felicidade.