domingo, 11 de agosto de 2013

domingo, 28 de julho de 2013

Se eu pudesse, ia embora

Quando me faltam palavras, fico muda
Sou um ser em constante metamorfose
Itinerante de mim mesma.

Sou pouco.
E na falta de palavras que te tragam mais para perto
Fico em silêncio.
Quando seus olhos dão o menor sinal de não
Fico em silêncio. E mantenho os lábios rígidos.
Quando seus olhos
dão o menor sinal de não...

Pois prefiro a solidão.
E deixo vir a amargura.
Tua lembrança no meu corpo é mal que se instala subitamente
Cortante loucura
Arrepio que vem por qualquer sombra de recordação de você nos meus braços
Afasto a memória...
Censura.

O fim é o mesmo.
As malas estão sempre prontas no canto do quarto
O adeus está sempre formulado
A carta de despedida na gaveta.
Um belo dia vou sumir
Ir pra qualquer canto, mudar de nome.

E quiçá esquecer os seus olhos de menino
que me pegam sempre tão desprevenida...



sábado, 27 de julho de 2013

Mais uma carta...

Hoje é seu aniversário. E curiosamente foi você quem me mandou um texto bonito que parecia com a gente. Era tão bonito que caí na tentação de escrever alguma coisa do tipo... Não. Sejamos sinceros. Eu escreveria de qualquer forma, e você sabe disso. É você quem tem ao menos umas cinquenta cartas minhas.
Essa semana lembrei de você o tempo todo, involuntariamente. Toda hora lembrava de algo engraçado que você faz ou fazia, com esse seu talento pra interpretação e sua ironia refinada.
Senti falta de ter do lado alguém que me entende tão bem, que conhece meus defeitos, que faz graça por me conhecer tanto assim, que sabe que eu choro quando estou com sono. Eu sinto tanta saudade de como a gente tinha sempre uma poesia nova pra se dedicar, de como planejávamos nossos presentes de aniversário, do cd que você gravou pra mim e a primeira faixa era você cantando no violão a nossa música, eu sinto falta de sentar e conversar horas e horas e horas sobre um filme (e até gravar um vídeo sobre ele). Eu sinto falta até das brigas homéricas, que me faziam achar que o mundo ia acabar, de sentar sozinha numa praça pra pensar a respeito, e terminar entre lágrimas o Cem Anos de Solidão, que se tornou meu livro preferido e depois também o seu.
Sabe, hoje eu tenho outros amigos, outra vida muito diferente. As pessoas que estão do meu lado hoje são tão mais leves do que a gente era. Mas me pergunto sempre se alguma delas algum dia vai conseguir ser parte de mim como você foi. E não é nem uma questão de gostar mais ou menos. É de estar misturado, gostar de tudo igual, compartilhar da mesma profundidade exagerada, da mesma teimosia, das piadas que ninguém entende, do mundo que a gente inventou.
São tantas lembranças... E acho que eu nem preciso nomeá-las, porque elas são suas também.
Desejo hoje pra nós que consigamos estar perto com mais calma e mais maturidade, mas que depois de tantos anos e de tantas dificuldades, depois de tantas coisas que perdemos, ainda que já não nos falemos com tanta frequência, ainda que já não saibamos de cada parte da vida um do outro, ainda que já não joguemos o jogo da verdade,  ainda assim... Que possamos existir, da forma que hoje é, da forma que será, que eu não sei qual é, para sempre. Porque ainda que muitas coisas tenham mudado, nossa essência sempre será a mesma, e de alguma forma, sempre vamos nos conhecer. Melhor: sempre vamos nos reconhecer.
Obrigada por ter continuado do meu lado, mesmo quando meu coração estava tão machucado que eu não conseguia te dirigir uma única palavra de afeto. Obrigada por ter continuado ali mesmo quando nos magoamos tão profundamente que carregaremos sempre cicatrizes. Obrigada por me entender e gostar de mim como eu sou, mesmo que eu seja chata, sentimental, séria demais em alguns momentos, idiota demais em outros, criança demais e velha demais. Me permita então mais esse excesso.
Que sua vida seja cheia de beleza, de intensidade, de significados. Que você saiba achar o seu caminho e seguir, apesar de todos os medos e incertezas. Que você realize seus sonhos, alcance seus objetivos. Que tenha sempre saúde.
Feliz Aniversário, que seu dia hoje seja lindo. Que você seja meu melhor amigo para sempre.
"Para você, silenciosos, todos os poemas do mundo".





sábado, 29 de junho de 2013

Decadência

Ficam meias palavras
textos sem acabar
mais uns tantos na lata de lixo

tenho uma úlcera no peito
pronta para me atravessar
meu sentimento ganha teias
apodrece e cria bicho

tenho acordado todos os dias como num sonho ruim
tenho gostado muito pouco de mim
fim.

sábado, 8 de junho de 2013

Hoje (ou: Pessimismo)

Olho hoje para mim sem saber o porquê das escolhas que fiz
achando parca, pouca, pobre e mesquinha a minha motivação
olho hoje para mim e vejo tão menos do que quis
vejo um ser trêmulo de medo da solidão
Hoje olho para mim e vejo minha maior verdade por um triz
no espelho me olham os olhos da frustração
olho hoje para mim sem perspectiva de ser feliz
remendando os pedaços do meu coração
hoje, só hoje, finda minha força motriz
e não encontro direção
sou hoje tola imperatriz
de um pedaço infértil de sertão
vasculho minha alma, hoje, e ela nada diz
o silêncio ressoa na desilusão
hoje vejo que todo amor que plantei não criou raiz.
Petrificou o chão.














sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pedido aos gatinhos pingados que passam por aqui...

Hoje sem poesia, venho fazer um pedido a qualquer um dos gatinhos pingados que aparecem por aqui de vez em quando... Peço que vocês vão conhecer a poesia do meu maior ídolo, e por coincidência, meu pai.
Sei muito bem que sou suspeitíssima para falar, afinal de contas, antes de tudo amo esse velho profundamente.
Mas ainda assim falo: poucas vezes li coisas tão bonitas.
(Tem inclusive um poema pra mim, olha só que chique).
Passem lá, ele anda tão empolgado com tudo isso, ele que sempre leu tanto e sempre falou tantas coisas bonitas, e sempre recitou poesias, descobriu, já velho, em si mesmo a capacidade de criar. E isso me orgulha tanto...
Façam um carinho, que ele merece: http://poesiamendiga.blogspot.com.br/

sábado, 1 de junho de 2013

Metade

Tensionamos a corda ao extremo absurdo
para ver como e quando ela arrebenta
para testar dos nós
e de nós
o limite
(meu olho no teu é convite).
O proibido, moço dos olhos penetrantes
dança e ri da nossa tentativa de fidelidade
- dilema da nossa vontade.
Enquanto isso, arregalados
nos fitam os grandes olhos da vaidade
atiçando nossa crueza
nossa maldade.
O que há de selvagem
e até mesmo grutural
no que somos
sugere todo tipo de erotismo
sedutor abismo
e caímos inevitavelmente no cinismo.

Não somos.
Não sendo, somos.
Somamos.

Somos a mais cortante traição
E a mais inegável sinceridade.
Somos mania
hipocrisia
metade.