segunda-feira, 14 de março de 2011

Meus grandes

Minha experiência cinematográfica é muito mais ínfima do que eu gostaria que fosse.
De uma certa forma, acho que ainda que eu veja milhões de filmes e chegue a ter um entendimento razoável da arte do cinema - que atualmente não tenho -, sempre vão existir outros tantos milhões a serem vistos.
A impressão que fica pra mim a cada filme novo que assisto é a da minha enorme ignorância, fica claro o quanto tenho que aprender antes de conseguir entender pelo menos uma parte considerável das complexidades mais sutis por trás de qualquer filme.
Ainda assim, hoje me arrisco a fazer uma lista dos meus dez preferidos. Quando me propus a selecionar esses dez, não imaginava o quanto seria difícil escolher somente estes, quantos eu deixaria de fora com um pesar imenso.
Aviso previamente que esses dez não são necessariamente os melhores filmes que já vi, mas que são os que, no geral, mais mexeram comigo, mais me marcaram de formas diferentes.
Nenhum comentário abaixo tem muito de técnico, a maioria deles vêm de impressões, sentimentos, empatia com personagens, o meu laço afetivo com os filmes em questão.
Vão aí, meus grandes:

* O Silêncio dos Inocentes

Esse filme, por alguma razão, exerce uma fascinação incrível sobre mim, já o assisti incontáveis vezes.
Mais que o suspense tremendamente bem construído, e o final que quase não me deixa respirar de tanta tensão, marca a incrível atuação de Anthony Hopkins, no papel de Hannibal Lecter, o psicopata canibal mais interessante e charmoso de todos os tempos.
Não dá pra esquecer também sua química inigualável com Jodie Foster, que representa uma policial recém formada e que entrevista o psicopata para que ele, com sua excepcional inteligência, a ajude a desvendar um caso e pegar um assassino.
É incrivelmente perturbador o primeiro contato que temos com Hannibal, ao contrário dos outros loucos do local onde ele está preso, ele se mostra extremamente calmo, limpo, e com um sorriso que dá muito mais medo que qualquer cara de mau.
A atuação dos dois é impressionante, Jodie construiu para a personagem um sotaque bem acentuado do interior do Estados Unidos com uma perfeição incrível, e uma das melhores cenas do filme é a que ele imita seu sotaque em meio a um dos tantos diálogos geniais que os dois travam, sem que isto estivesse previsto no roteiro, o que deixou, mais que a personagem, a atriz irritadíssima.
O tempo todo eles jogam jogos psicológicos, e ao mesmo tempo que ele parece saber exatamente o que fazer para controlá-la, também parece se envolver com ela.
O resultado é esse filme incrível.

*Tomates Verdes Fritos

O filme começa com o encontro de Evelyn, uma dona de casa de meia-idade, frustrada, infeliz, com baixa auto-estima e acima do peso, com a velha Ninny, num abrigo de idosos.
Ninny conta a Evelyn a história de Ruth e sua amizade com Idgie: uma mulher livre e contestadora, para os padrões patriarcais da época, que acabou ensinando à Ruth, com sua amizade inabalável, um jeito de ser feliz. (Fica subentendida uma relação lésbica entre as duas).
Durante a história, Evelyn também vai aprendendo a gostar mais de si mesma, o que começa a mudar sua vida.
O filme conta basicamente a vida dessas quatro (que na verdade são três) mulheres, lutando por sua liberdade e pela parte da felicidade que lhes cabe em meio à uma sociedade cheia de discriminações, experimentando o amor e a doçura da vida, apesar das dificuldades, tudo isso contado de uma forma tão sensível que eu provavelmente não conseguiria explicar.

*Os sonhadores


Um dos meus filmes preferidos dentre os dez que selecionei, e talvez o mais, em si mesmo, sedutor.
Desde a beleza dos três personagens principais, até as cenas, remontando clássicos do cinema, tudo nele me atrai.
O filme conta a história de três jovens, cinéfilos, e apaixonados, em todos os sentidos. Eles são irreverentes, revolucionários, idealistas.
Theo e Isabelle são irmãos, gêmeos, a acabam atraindo Matthew, um americano arrumadinho, para sua aventura.
A trilha sonora é totalmente sensacional, composta por músicas de Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, Bob Dylan.
A relação sexual entre os três vai se desenvolvendo no decorrer do filme, principalmente através de um jogo inventado por eles, em que um deles deve representar, de repente, em um momento inusitado, uma cena de um filme aleatório, e um outro escolhido deve adivinhá-la. Se isso não acontece, a pessoa que errou o filme deve cumprir uma espécie de conseqüência, sempre muito mirabolante e excêntrica.
Apesar de tudo, o filme não deixa de ser um hino ao cinema e à juventude, e é impossível não sair dele completamente apaixonada pelos três personagens principais.

*Breakfast at Tiffany's



Tenho um verdadeiro caso de amor com esse filme.
Primeiro porque amo a Audrey Hepburn: a mulher mais linda que já passou pela Terra.
Notável a parceria incrível Audrey-Givenchy, e portanto, as roupas lindíssimas que ela veste durante o filme.
Tão linda quanto ela é a personagem Holly Golightly, uma das personagens mais adoráveis de todos os tempos, uma charmosa e discreta garota de programa, que no fundo é extremamente romântica, e espera seu príncipe encantado, o homem que lhe fará querer montar uma vida, mobiliar o apartamento e dar nome ao gato.
Holly é muito interessante por ser muito ambígua: ao mesmo tempo que ela parece demonstrar certa malícia, também se mostra extremamente ingênua.
Não costumo gostar de finais felizes, mas minha simpatia personagem é tão imensa, que não ficaria satisfeita com um final diferente.
Além de tudo isso, a música do filme é lindíssima (Moon River), e me deixa emocionada desde a primeira cena.

*Pulp Fiction


Pra mim, Pulp Fiction é a obra prima do Tarantino.
Como todo filme desse diretor (que eu simplesmente amo), é todo carregado de violência e humor negro.
O Pulp Fiction em especial tem uma coisa com o tempo muito bacana, porque o roteiro não é linear, a história é dividida em "quadros" que não necessariamente estão na ordem temporal, de forma que, às vezes os personagens aparecem com roupas engraçadas ou tomando determinadas atitudes que só são explicadas depois.
O filme tem umas cenas geniais, como a overdose da Mia Wallace (Uma Thurman), esposa de um dos chefões da "máfia".
Seu marido viaja e a deixa com um de seus "capangas": Vincent Vega (John Travolta, que aliás, está ótimo no filme: um brutamontes com um cabelo nos ombros, engraçadíssimo).
Enquanto Vincent entra no banheiro pra tentar se convencer a não dormir com a esposa do patrão (o que faria dele um homem morto), Mia põe pra tocar "Girl, You'll be a woman soon" na sala. Enquanto dança, acaba achando um saquinho de heroína no bolso do casaco do acompanhante, que ela cheira pensando ser cocaína.
Quando Vincent adentra a sala, Mia está tendo uma overdose.
Não sabendo o que fazer, ele a leva para a casa do traficante, um completo loser, que também não tem a mínima idéia de como proceder.
Não sei o que é que me faz gostar tanto do filme, ás vezes fico pensando se cenas como essa, ou como a de dois bandidos explodindo sem querer a cabeça de um cara inocente (outra seqüência incrível) não disparam alguns desejos reprimidos em quem assiste.
Bom, essa parte deixo para a psicanálise, eu sei que o filme é divertidíssimo e genial.

*Os Famosos e os Duendes da Morte

Esse é um filme brasileiro, gaúcho, e que me surpreendeu muito.
O filme é poesia pura, traz umas discussões bacanas sobre a tristeza, a morte, tem uma trilha sonora linda, a fotografia incrível (um dos pontos fortes do filme).
A história se passa em uma cidadezinha do Sul, com um alto índice de suicídios. O personagem principal é um menino, que não tem nome e se apresenta com o apelido que usa na internet: "Mr. Tambourine Man" (o título de uma música linda do Bob Dylan).
Ele trava uma relação estranha com um casal que postava vários vídeos em seu blog, e o tempo todo a história do menino é intercalada pelos tais vídeos. Os vídeos são muito táteis e visuais, parecem tratar de experimentações sensoriais dos dois, de uma forma muito poética (só vendo mesmo pra entender).
Fica, pra mim, a sensação de estar preso àquela cidade, àquela vida que é a mesma há gerações, àquele lugar que parece que parou no tempo. A ponte, metáfora do suicídio, acaba se apresentando como única fuga possível. ("Naquela cidade, cada um sonhava em segredo").
Não vou contar o segredo do filme.
Vale ressaltar que ele possui frases lindíssimas.
"Infância: nossas bocas sorrindo até o fim.
Como o que ficou pra trás, como o que nunca mais será redescoberto, como o que nunca voltará a ser três."
"Estar perto não é físico."

*O Fabuloso Destino de Amelie Poulain


O Fabuloso Destino de Amelie Poulain é, pra mim, o que se pode chamar de um filme impecável.
Desde a trilha sonora (do amado Yann Tiersen), a atuação incrível de Audrey Tautou, o roteiro poético, a narração incrível, até a fotografia, trabalhada principalmente nos tons de vermelho e verde, todos os detalhes são perfeitos.
O filme tem gosto de torta de maçã e cheiro de café da tarde.
É simplesmente uma das abordagens da vida mais sensíveis que já vi.
Amelie é uma personagem muito interessante, dá pra ver nela uma espécie de olhar infantil que parece enxergar tudo de uma forma mais simples, muito mais presa às essências, e ao mesmo tempo, tem uma dificuldade afetiva imensa, até para se comunicar.
O que fica evidenciado até mesmo no fato de a atriz possuir pouquíssimas falas ao longo do filme.
Amelie é extremamente solitária e totalmente adorável, e a minha vontade, durante o filme, é de colocá-la no colo.
Inesquecível a forma delicada como ela consegue melhorar a vida de todas as pessoas à sua volta com atitudes simples, mas não consegue fazer a si mesma feliz.

*As Virgens Suicidas

Dos filmes citados, esse foi o que vi mais recentemente, e entrou de cara para os meus preferidos.
Não sei bem porque... O olhar da Sofia Coppola é simplesmente genial, e a delicadeza com a qual ela representa o universo feminino, é notável.
O filme conta a história de cinco meninas lindas, criadas por pais repressores, e que procuram, no seu mundo particular, fugas para a tristeza do seu cotidiano vazio.
A obra me chamou a atenção desde o seu primeiro diálogo, entre um médico e a irmã mais nova, a primeira a tentar suicídio. Frente à sua tentativa frustrada, no hospital, o médico lhe pergunta o que ela faria ali, se não tinha nem idade para saber o quanto a vida era ruim. A resposta de Cecília é a seguinte: "obviamente, Doutor, você nunca foi uma garota de 13 anos."
O grande trunfo do filme, na minha visão, é o fato de a história ser contada através da ótica dos garotos daquela rua, totalmente encantados pela beleza das meninas.
Além disso, chama atenção a personagem de Kirsten Dunst, a mais irreverente das irmãs, apaixonadas por rock, e absolutamente deslumbrante.

* O casamento do meu melhor amigo

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Essa é uma típica comédia romântica. Ok, não vou ser injusta, não como essas comédias românticas atuais horríveis , mas ainda assim, não deixa de ser bem água com açúcar.
E é um dos meus filmes preferidos no mundo porque me faz rir, e chorar e suspirar, não sei quantas tardes passei assistindo este filme, não sei quantas lágrimas e quantos sorrisos posso atribuir a ele.
A história é basicamente o seguinte: um homem e uma mulher são melhores amigos há anos, já passaram várias noites juntos sem, no entanto, nunca terem sido mais que amigos (ainda que ele sempre tivesse sido apaixonado por ela).
E então, um belo dia ele liga para ela, contando que vai se casar. Como era de se esperar, ela se desespera e percebe que sempre o havia amado (bem previsível), e começa a arquitetar planos para acabar com o casamento dele com a tal moça (Cameron Diaz), aparentemente bobinha, riquinha e mimada.
Acreditem, o filme é absolutamente adorável, divertido e doce.
Além disso, Julia Roberts está linda, Cameron Diaz está engraçadíssima (uma das melhores cenas do filme é a que ela canta horrivelmente "I just don't know what to do with myself" num karaokê), e se nada disso contasse, o filme valeria por essa cena que postei, uma das cenas mais queridas que já vi, Michael (Dermot Mulroney) cantando e dançando com Julianne (Julia Roberts) a música dos dois (pela qual sou apaixonada): "The way you look tonight".
Em outras palavras, sou romântica.

* Cinema Paradiso

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Uma das maiores e mais lindas homenagens ao cinema.
O filme começa com Salvatore recebendo a notícia da morte de Alfredo. As lembranças dele então nos levam à história de sua infância, quando ele era Totó, um menininho ensinado por Alfredo, o projecionista de uma cidadezinha na Itália, a amar o cinema.
Enquanto Alfredo cortava dos filmes as cenas de beijo censuradas pela igreja, os dois se encantavam com a beleza desta arte. Salvatore vai embora, adolescente, por conta de um amor que não deu certo, e nunca mais volta á sua cidade.
O cinema paradiso, onde os dois assistiam os filmes, acaba destruído para que se construa um estacionamento em seu lugar.
Mais que tudo, o filme fala do cinema antigo, do valor que ele tinha, e a metáfora do prédio destruído, na minha visão, tem uma super relação com a comercialização do cinema, que na grande maioria das vezes, já não tem a função de encantar, de reportar as pessoas à poesia de outras vidas, já não existe como forma de arte, mas muito mais como uma indústria.
Deixo a cena final, lindíssima, uma edição de todas as cenas de beijo censuradas e guardadas por Alfredo.

* Edward Mãos de Tesoura

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Minha história com o Edward vai um pouco além da sensibilidade do filme, a obscuridade doce do Tim Burton e a atuação incrível de Johnny Depp, ao lado de uma Winona Ryder menina, quase irreconhecível.
Quando eu era criança via muito esse filme, e me identificava muito. Não sei bem porque, acho que por um lado, todo mundo se sente um pouco Edward, diferente das outras pessoas, ansiando frustradamente por ser igual.
Johnny Depp é Edward, um ser humano criado por um cientista e que nunca foi acabado, pois seu criador (pai) morre antes de terminá-lo, e por isso lhe faltam as mãos: em seu lugar ele possui um punhado de tesouras. Edward nunca conviveu com pessoas, e por isso, ao ser acolhido por uma simpática dona de casa, não sabe bem como se comportar e acaba se metendo em uma série de confusões.
Além disso, se apaixona pela filha da moça que o acolheu (Winona Ryder), amor que não se realiza devido ás injustiças cometidas pelas pessoas da cidade, que acabam considerando-no uma aberração.
Edward sempre viveu sozinho, e acaba sozinho, e talvez na solidão dele eu me visse um pouco.
O filme é muito triste, mas não deixa de ser muito sensível, lindo e poético.
Deixo aí uma das cenas mais bonitas de todos os tempos.

Obs: se forem contar, verão que no total são onze filmes, e não dez. É que não consegui deixar nenhum destes de fora.

Deixei de fora com o coração na mão:
Tudo sobre minha mãe, Casablanca, Garota interrompida, O Iluminado, Laranja mecânica, Donnie Darko e Beleza Americana.

Gostaria muito de saber um pouco de quais filmes marcaram vocês. Indico então esta listinha dos dez preferidos pra Anna, pro Victor, e pra Nina.


6 comentários:

  1. Em breve posto a minha lista, amo seus posts, bonita.

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  2. Oi! Acabei de conhecer teu blog e já me identifiquei. Assisti a alguns desses filmes e eles também viraram meus Grandes (Tomates verdes e fritos, O silêncio dos inocentes, Bonequinha de Luxo, Amelie Poulain). Outros eu assisti mas não lembro nada, é melhor rever (Os sonhadores e Edward). Mas o que eu não gostei mesmo foi Virgens Suicidas. Não gosto muito dos silêncios prolongados e poucos diálogos com frases chocantes da Sofia. O filme gaúcho e Pulp fiction eu já estou baixando, adorei as indicações.
    Beijos, boa noite.

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  3. Como havia lhe dito, farei sim e com imenso prazer! Adoro falar de filmes!
    Beijao!

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  4. Eu gostei da sua lista. Eu tenho um carinho muito grande por Edward-Mãos de Tesoura, Os Sonhadores, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Cinema Paradiso. Pelo que pude perceber, nossos gostos por filmes são parecidos, vou assistir os que eu ainda não vi, que você indicou.

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  5. gosto muito de alguns filmes da lista, já gostei de outros quando era mais novo e uns dois ou três eu realmente tenho problema sérios.
    mas os melhores são os que você deixou de fora! laranja mecânica e o iluminado, principalmente, do deus kubrick.

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  6. Ahhh, Edward Mãos de Tesoura - que nostálgico!!!! Tamates verdes fritos, eu assisti faz pouco tempo, depois de me falarem que era a minha cara, e eu gostei muito tbm. E o casamento do meu melhor amigo...own, muito fofo!! Adorei sua lista!

    beijos!

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