Durante a revolução houve sim participação popular, mas em momento algum essa classe liderou a revolução como havia sido teoricamente proposto, e, de fato, isso jamais poderia acontecer, uma vez que a classe operária simplesmente não tinha e ainda hoje não tem um nível de escolaridade suficiente para entender os pormenores da idéia revolucionária, bem como sua força e direitos.
O sistema é muito bem pensado para que seja assim: só quem compreende os absurdos da desigualdade social é quem não se interessa pela mudança do sistema. E assim, de forma articulosa, quem detém o poder, materializado na forma que for: terras, dinheiro, título de nobreza e (por que não?) conhecimento, permanece sempre no poder: muda-se o nome, jamais a cara.
Enquanto as revoluções forem feitas pela minoria intelectual privilegiada (ou seja, eu e vocês, meus caros), a tendência é que aconteça como na Rússia, o povo acabe liderado por um grupo que dirá representar o interesse comum mas, na prática, será somente parte de mais uma elite corrompida pelo poder.