Porque eu te encontrei no meu caminho
Não posso negar que haja algum tipo de mágica nesse universo
Pois eu te encontrei tão desavisada
Como quem, sem nada esperar
Acaba tropeçando na própria sorte.
Você apareceu na minha vida assim
Meio caída subitamente no meio do palco
Quando eu dei por mim
Giovana já inundava cada pedacinho de tudo que eu faço
Com seus lencinhos coloridos
Com seu dentinho que falta
Meio feito fada, num dia perdido
Um dia florido como as flores que você tinha no cabelo
Como as flores doídas daquela música que a gente gosta
E eu te vi florescer
De meninas que éramos
De brigadeiros ingênuos
Fomos encontrando nossa força, nossa liberdade, nossa luta
E você foi se tornando esse fenômeno da natureza.
- Seus cabelos foram crescendo e se rebelando
Na exata medida da sua rebeldia-
Você mora nas minhas fotos
Nas minhas manhãs
Na maior parte das minhas risadas.
Minha irmã de alma,
Se não existe eternidade
Te prometo minha lealdade
Nesse breve sopro que dura uma vida.
terça-feira, 31 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Da filha do seu melhor amigo. Para o velho contador de histórias.
Ao velho de barbas brancas que me conquistou com suas histórias
Eu desejo que essa ferida incurável sare logo
Queria ser hoje a médica que você acreditou que eu seria
Médica do impossível
Queria poder remendar seu coração
Queríamos todos, pai, mãe e irmã
Te colocar no colo e poder te ninar
Ao velho de barbas brancas com um sorriso sempre doce
Uns óculos pendurados no nariz, um barrigão
E tantas invenções de mudar o mundo
Eu desejo nos meus sonhos de menina
Que em breve você possa se contar outras histórias
Possa ser professor paciente de si mesmo
Possa encontrar mais uma das suas soluções inusitadas
E então, recuperar, com uma risada, o sentido de tudo isso
Que agora me escapa.
Velho, eu não sei porque é que a vida te fez essa injustiça
Hoje sou toda lágrimas, somos.
A morte é um rolo compressor inexorável
E cada vez que ela cruza o meu caminho
Tudo se desmancha um pouco.
Não tenho remédio algum pra te oferecer.
Por isso te ofereço o meu amor.
Eu desejo que essa ferida incurável sare logo
Queria ser hoje a médica que você acreditou que eu seria
Médica do impossível
Queria poder remendar seu coração
Queríamos todos, pai, mãe e irmã
Te colocar no colo e poder te ninar
Ao velho de barbas brancas com um sorriso sempre doce
Uns óculos pendurados no nariz, um barrigão
E tantas invenções de mudar o mundo
Eu desejo nos meus sonhos de menina
Que em breve você possa se contar outras histórias
Possa ser professor paciente de si mesmo
Possa encontrar mais uma das suas soluções inusitadas
E então, recuperar, com uma risada, o sentido de tudo isso
Que agora me escapa.
Velho, eu não sei porque é que a vida te fez essa injustiça
Hoje sou toda lágrimas, somos.
A morte é um rolo compressor inexorável
E cada vez que ela cruza o meu caminho
Tudo se desmancha um pouco.
Não tenho remédio algum pra te oferecer.
Por isso te ofereço o meu amor.
sábado, 16 de abril de 2016
Pra você nunca me deixar
Quando você parte de dentro dos meus braços
Meu coração se parte um pouco
E é como se um pedaço meu estivesse morrendo
As flores que coloriam e perfumavam minha alma
Murcham de repente, ficam ranzinzas
Cada parede desse quarto chora
E as páginas dos meus cadernos se enchem de lágrimas
Quando você me deixa assim
Tudo no mundo parece estar me dando adeus
As pessoas no ônibus me olham com olhar de pena e despedida
As panelas sem sopa de abóbora protestam, indignadas
- Elas mandaram te perguntar se você não sente remorso
por nos abandonar assim tão vazias -
Em todo lugar falta alguma coisa
É uma sensação como quando a gente sai de casa e acha que esqueceu algo para trás
Mesmo quando me sinto feliz
Me pergunto o que é que está sempre segurando um pouco o meu sorriso.
As pessoas do mercado sentem a nossa falta
Disseram que ninguém mais anda assim pendurada no carrinho
Ninguém come frutas roubadas à olhos vistos
Enquanto passeia alegre entre as estantes.
Eu me vejo obrigada a vestir aquela minha roupa
Que eu costurei pros momentos difíceis
Assumo minha pose mais altiva
Que, cá entre nós, carrega tanta dureza...
A dureza de quem tem o amor pendurado num retrato
Dentro de uma moldura antiga.
Preciso que você volte pra poder abandonar esse casulo
Pra poder abrir de novo as minhas asas
E devolver ao mundo todas as suas delicadezas.
Quando você chegar
Prometo que eu te mimo como você quiser
Que te faço dormir
Que te faço café
Que te faço assinar uma cláusula de nunca mais me abandonar.
Meu coração se parte um pouco
E é como se um pedaço meu estivesse morrendo
As flores que coloriam e perfumavam minha alma
Murcham de repente, ficam ranzinzas
Cada parede desse quarto chora
E as páginas dos meus cadernos se enchem de lágrimas
Quando você me deixa assim
Tudo no mundo parece estar me dando adeus
As pessoas no ônibus me olham com olhar de pena e despedida
As panelas sem sopa de abóbora protestam, indignadas
- Elas mandaram te perguntar se você não sente remorso
por nos abandonar assim tão vazias -
Em todo lugar falta alguma coisa
É uma sensação como quando a gente sai de casa e acha que esqueceu algo para trás
Mesmo quando me sinto feliz
Me pergunto o que é que está sempre segurando um pouco o meu sorriso.
As pessoas do mercado sentem a nossa falta
Disseram que ninguém mais anda assim pendurada no carrinho
Ninguém come frutas roubadas à olhos vistos
Enquanto passeia alegre entre as estantes.
Eu me vejo obrigada a vestir aquela minha roupa
Que eu costurei pros momentos difíceis
Assumo minha pose mais altiva
Que, cá entre nós, carrega tanta dureza...
A dureza de quem tem o amor pendurado num retrato
Dentro de uma moldura antiga.
Preciso que você volte pra poder abandonar esse casulo
Pra poder abrir de novo as minhas asas
E devolver ao mundo todas as suas delicadezas.
Quando você chegar
Prometo que eu te mimo como você quiser
Que te faço dormir
Que te faço café
Que te faço assinar uma cláusula de nunca mais me abandonar.
terça-feira, 15 de março de 2016
Disfarce
vivo de dizer o que não deveria ser dito
o mundo, constrangido-indignado
me manda engolir de volta as palavras
olhos assustados, arregalados, se desviam
pés atravessam a rua, não passam mais na porta
sou uma ameaça
esse sentimento rasgado
ALERTA! PERIGO!
é preciso fugir da verdade assim cuspida
lhe calar com a indiferença
disfarce
mais uma vez, escolho ser em palavra meu eu mais cru e dilacerado
porque eu não deveria dizer
verbalizar tudo o que sou e não deveria ser
mas eu cruzei a linha do blasé e me tornei. eu.
disse
digo.
o mundo, constrangido-indignado
me manda engolir de volta as palavras
olhos assustados, arregalados, se desviam
pés atravessam a rua, não passam mais na porta
sou uma ameaça
esse sentimento rasgado
ALERTA! PERIGO!
é preciso fugir da verdade assim cuspida
lhe calar com a indiferença
disfarce
mais uma vez, escolho ser em palavra meu eu mais cru e dilacerado
porque eu não deveria dizer
verbalizar tudo o que sou e não deveria ser
mas eu cruzei a linha do blasé e me tornei. eu.
disse
digo.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Hemorragia
Eu tenho uma dor dentro do peito que passou a morar comigo
Não sei se é solidão, falta de um amigo
Não sei se foram más escolhas, alguma espécie de castigo
Não sei se estou fugindo da raia, renegando o meu destino
Ou se nunca houve nenhum plano e eu me acomodei nesse caminho
Não sei se nas linhas da minha mão há algum tanto de carinho
Não sei se eu não soube achar a rosa ou se a vida é só espinho
Não sei se sou mais corajosa ou se saí de vez do trilho
Não sei se mergulho de uma vez na vida ou se puxo o gatilho
Não sei se a revolução nunca foi possível ou se eu é que já não acredito
Não sei se já houve alguma salvação ou se não passou tudo de um mito
Já não sei dizer bem o que ainda alimenta o meu espírito
Eu continuo respirando mas já não sei pelo que sigo
Talvez eu esteja olhando demais pra mim, pro meu próprio umbigo
Ás vezes eu só queria me encolher toda em algum tipo de abrigo
Eu sinto tanta saudade do meu melhor amigo.
Sei que tenho um grande amor frustrado
Esse abandono imenso marcado
em brasa na minha pele.
Tenho toda essa gente que de repente se vai
Tenho a ausência da minha mãe e a expectativa esmagadora do meu pai
Essa dificuldade de me amar, de me bastar, esse medo de ser esquecida
Tenho todos esses não's, todo esse vazio, pouca grana, muitas dívidas
Essa teimosia, essa completa falta de norte
Uma tonelada de dúvidas
Preciso de distrações, preciso conhecer pessoas, preciso mudar de cidade
Tenho rinite, verrugas, preguiça, a coluna torta
Eu tenho uma namorada morta
E esse oceano de saudade.
Não sei se é solidão, falta de um amigo
Não sei se foram más escolhas, alguma espécie de castigo
Não sei se estou fugindo da raia, renegando o meu destino
Ou se nunca houve nenhum plano e eu me acomodei nesse caminho
Não sei se nas linhas da minha mão há algum tanto de carinho
Não sei se eu não soube achar a rosa ou se a vida é só espinho
Não sei se sou mais corajosa ou se saí de vez do trilho
Não sei se mergulho de uma vez na vida ou se puxo o gatilho
Não sei se a revolução nunca foi possível ou se eu é que já não acredito
Não sei se já houve alguma salvação ou se não passou tudo de um mito
Já não sei dizer bem o que ainda alimenta o meu espírito
Eu continuo respirando mas já não sei pelo que sigo
Talvez eu esteja olhando demais pra mim, pro meu próprio umbigo
Ás vezes eu só queria me encolher toda em algum tipo de abrigo
Eu sinto tanta saudade do meu melhor amigo.
Sei que tenho um grande amor frustrado
Esse abandono imenso marcado
em brasa na minha pele.
Tenho toda essa gente que de repente se vai
Tenho a ausência da minha mãe e a expectativa esmagadora do meu pai
Essa dificuldade de me amar, de me bastar, esse medo de ser esquecida
Tenho todos esses não's, todo esse vazio, pouca grana, muitas dívidas
Essa teimosia, essa completa falta de norte
Uma tonelada de dúvidas
Preciso de distrações, preciso conhecer pessoas, preciso mudar de cidade
Tenho rinite, verrugas, preguiça, a coluna torta
Eu tenho uma namorada morta
E esse oceano de saudade.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Baile de máscaras
Me sinto desajustada
Enquanto caminho por entre as vitrines de sorrisos decorativos.
Num jogo caleidoscópico
Em que pessoas inteiras se perdem
Nos reflexos partidos de sua própria imagem virtual
E como feitiço tornam-se máscaras
Ninguém me enxerga.
De que me valem estas presenças surdas a tudo que digo?
Presenças que também não me contam histórias
Estão ali mas não estão de fato
Porque não me tocam e não me permitem tocá-las
São impermeáveis e ocas.
Pois prefiro a solidão sozinha
Que viver a solidão no meio de rostos que mais me parecem
Invólucros plastificados
Manequins
Companhia de plástico e verniz
Condicionada a rir mecanicamente nos momentos felizes
E virar o rosto diante de qualquer tristeza.
Se constrangem em rubor de blushes artificiais
Quando sangro publicamente
Quando quebro as leis e choro...
Está proibido ser triste neste carnaval.
Enquanto caminho por entre as vitrines de sorrisos decorativos.
Num jogo caleidoscópico
Em que pessoas inteiras se perdem
Nos reflexos partidos de sua própria imagem virtual
E como feitiço tornam-se máscaras
Ninguém me enxerga.
De que me valem estas presenças surdas a tudo que digo?
Presenças que também não me contam histórias
Estão ali mas não estão de fato
Porque não me tocam e não me permitem tocá-las
São impermeáveis e ocas.
Pois prefiro a solidão sozinha
Que viver a solidão no meio de rostos que mais me parecem
Invólucros plastificados
Manequins
Companhia de plástico e verniz
Condicionada a rir mecanicamente nos momentos felizes
E virar o rosto diante de qualquer tristeza.
Se constrangem em rubor de blushes artificiais
Quando sangro publicamente
Quando quebro as leis e choro...
Está proibido ser triste neste carnaval.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
A velha e o nada
https://www.youtube.com/watch?v=DUqejMZZxP0
Ando pensando que a vida é uma sucessão de nadas.
Se esses nadas se tornam algo, é porque atribuímos significados.
Quando, no entanto, a tristeza rouba a energia que nos permite criar sentidos, e a crueza da vida arranca abruptamente toda a proteção meticulosamente bordada sobre as pontas afiadas da realidade, sobra a secura sem fim desse mundo áspero. Tudo fica vazio.
Viver, nesses dias, tem sido um esperar eterno, não sei pelo quê. Um esperar eterno pelo que sei que não volta.
Sento e espero por um futuro que, com sorte, será tão bom quanto algum momento no passado.
Rezo para que logo seja novamente capaz de me enganar. Talvez algum novo amor me devolva os óculos coloridos de distorção do que vejo. Talvez alguma crença numa mudança que hoje sei impossível.
A humanidade falhou e eu falhei com ela. Sou um fracasso, somos. Esse sentimento de que tudo deu errado... esse tanto que sonhamos, a vida que pensamos, aquela casa, aqueles filhos, aquele mundo que era melhor, que era um lugar pelo qual valia a pena lutar, dar a vida por, tudo isso deu em lugar nenhum.
Se eu fosse como as outras pessoas, deveria só aceitar que acabou e recomeçar. Mas eu dou demais de mim e quando prometi o eterno, sem querer me peguei falando a verdade.
Se o eterno acabou sendo um ponto final logo ali, dois passos à frente, eu fiquei então com um eterno nada depois dessa vida que morreu.
No passado, eu limitei a felicidade futura, eu dei a felicidade futura praquela promessa de depois. Não houve depois e agora tudo está perdido.
Tudo está perdido.
Eu estou perdida.
Ando pensando que a vida é uma sucessão de nadas.
Se esses nadas se tornam algo, é porque atribuímos significados.
Quando, no entanto, a tristeza rouba a energia que nos permite criar sentidos, e a crueza da vida arranca abruptamente toda a proteção meticulosamente bordada sobre as pontas afiadas da realidade, sobra a secura sem fim desse mundo áspero. Tudo fica vazio.
Viver, nesses dias, tem sido um esperar eterno, não sei pelo quê. Um esperar eterno pelo que sei que não volta.
Sento e espero por um futuro que, com sorte, será tão bom quanto algum momento no passado.
Rezo para que logo seja novamente capaz de me enganar. Talvez algum novo amor me devolva os óculos coloridos de distorção do que vejo. Talvez alguma crença numa mudança que hoje sei impossível.
A humanidade falhou e eu falhei com ela. Sou um fracasso, somos. Esse sentimento de que tudo deu errado... esse tanto que sonhamos, a vida que pensamos, aquela casa, aqueles filhos, aquele mundo que era melhor, que era um lugar pelo qual valia a pena lutar, dar a vida por, tudo isso deu em lugar nenhum.
Se eu fosse como as outras pessoas, deveria só aceitar que acabou e recomeçar. Mas eu dou demais de mim e quando prometi o eterno, sem querer me peguei falando a verdade.
Se o eterno acabou sendo um ponto final logo ali, dois passos à frente, eu fiquei então com um eterno nada depois dessa vida que morreu.
No passado, eu limitei a felicidade futura, eu dei a felicidade futura praquela promessa de depois. Não houve depois e agora tudo está perdido.
Tudo está perdido.
Eu estou perdida.
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